UNIVERSO DO HAICAI


VOLTA

DICÁRIO:
NOÇÕES PARA COMPOSIÇÃO DE HAICAIS*


I) O Haicai "é um poema constituído de três versos, dos quais dois são pentassílabos e um, o segundo, heptassílabo, que resumem uma impressão, um drama, às vezes deliciosamente, não raro profundamente", na lição de Afrânio Peixoto, fazendo sempre que possível, uma referência às estações do ano e seu reflexo na alma do poeta, de forma simples e com sentido completo.

II) Os versos devem estar ligados entre si, sem economias de palavras ou do uso de apóstrofos. Devem ser livres de mutilações e inversões.

III) Os adjetivos devem ser usados com moderação. Os substantivos e os verbos são a essência da comunicação verbal. Os adjetivos devem aparecer apenas para colorir, perfumar, temperar etc.

Evitam-se frases vazias ou expressões comuns apenas para "encher lingüiça". O espaço das 17 sílabas poéticas deve ser bem explorado.

IV) Face a tradição, é perfeitamente dispensável o uso de título e rima no poema.

V) Na composição, o haicaísta atento capta a instantaneidade, qual uma fotografia, registrando um momento de transitoriedade.

VI) Usam-se palavras simples e de fácil compreensão, evitando-se sempre o raciocínio.

VII) Por emanar da sensibilidade do poeta, deve-se evitar expressões de causalidade ou de sentimentalismo vazio.

VIII) Por fim, cabe registrar que quando nos propomos a escrever Haicais , devemos ter em mente que a linguagem utilizada será diferente da empregada na trova, no soneto e, até mesmo, na tanca. Nestes, valoriza-se a mensagem, com seu conteúdo moral ou filosófico, de crítica ou pedagógico. O Haicai, por outro lado, é apenas uma imagem. Por isso, não são cabíveis ditados ou máximas populares, bem como emitir juízos de valor.

IX) Por ser o registro de uma imagem, no conteúdo do Haicai não encontramos a presença do "eu-lírico", nem da licença poética, tão comuns na poesia ocidental.

X) No mais, para compor bons Haicais é indispensável praticá-lo e estudá-lo constantemente.

*Panfleto distribuído durante o
I Encontro de Haicai de Niterói,
em 15 de novembro de 2003.

Antônio Seixas
Primavera de 2003.