UNIVERSO DO HAICAI
A seleção de Haicais abaixo constitui a relação de poemas premiados em certames literários pelo Brasil afora. Ei-los:
0o0
Por entre as garrafas
uma par de olhos assustados:
uma lagartixa.
0o0
Aula de alpinismo.
Um caranguejo escalando
o velho coqueiro.
0o0
Vê-se da janela
o cinza tomar a tarde...
Árvores desnudas.
0o0
Retorno às origens --
Os peixes subindo o rio
com a piracema.
0o0
Na aridez do campo,
uma figura franzina --
Árvore desnuda.
0o0
Chuva de granizo.
O jardim de minha casa
lembra um mar de gelo
0o0
O clarão da Lua
guiando o caminhoneiro.
Saudades de casa.
0o0
Um bingo animado
no salão do sindicato:
dia do Trabalho
0o0
À beira da estrada,
o casal tirando fotos
do arrozal de outono.
0o0
Noitinha de outono-
Da varanda vê-se a rua
ficando vazia.
0o0
Após o desfile,
o mestre-sala esperando
por uma carona.
0o0
Na concentração,
o mestre-sala posando
entre dois turistas.
0o0
Exames Finais.
O suor de minha mão
manchando o papel.
0o0
Na fria manhã,
em frente a escola, um desfile
de gorros de lã.
0o0
Correio elegante
Na letra da professora,
recebi um bilhete.
0o0
Festa de São Pedro.
A moça tira do armário
seu traje caipira.
0o0
Calendário Velho.
A loira ainda sorri
na borracharia.
0o0
No jardim de infância,
as crianças encantadas
com a joaninha.
0o0
Arrebol de Outono.
O silêncio da torcida
ao deixar o estádio.
0o0
Mercado Central.
Em volta dos armazens
árvores sem folhas.
0o0
Dormindo na sala,
numa caixa de sapatos,
filhotes de gato.
0o0
Itacolomy.
A lembrança das queimadas
nos olhos do velho.
0o0
Manhã de dezembro.
Desabrocham, nos canteiros,
brancas Campanhias.
0o0
Ao limpar o armário,
dentro de um velho sapato,
um escorpião.
0o0
Na camisa branca
as manchas de carambola
delatando o crime.
0o0
Um menino aponta
desaparecendo o arco-íris
atrás da Capela.
0o0
Praça da Estação.
de um buraco na parede
surgem formigas
.
0o0
Silêncio no pátio.
Alunas, com uma lupa,
queimam as formigas.
0o0
Sítio da Vó Chica.
A espera pelas visitas,
doce de abacate.
0o0
Diante das câmeras
o Rei Momo exibe as chaves
de sua cidade.
0o0
Passeio no campo.
Um bando de capivaras
atravessa o rio.
0o0
Terminado o almoço,
o cheiro da tangerina
se espalha na casa.
0o0
Na Banca do Peixe,
a promoção de robalo
atrai as freguesas.
0o0
Jardim da Saudade.
Flores-de-maio recobrem
a campa da artista.
0o0
Manhã. Caminhada.
O róseo da flor-de-maio
surge numa esquina.
0o0
Outro amanhecer.
Passam magros animais
pelo prado seco.
0o0
Ao chegar em casa,
um olhar de desespero:
brócolis no almoço
0o0
Além da porteira,
a aridez do prado seco
domina a paisagem.
0o0
Outro amanhecer.
Passam magros animais
pelo prado seco.
0o0
Ao chegar em casa,
um olhar de desespero:
brócolis no almoço.
0o0
Humilde tapera.
Pousa no prato vazio
A mosca de inverno.
0o0
Dia do Folclore.
No desenho dos alunos
Surgem os sacis.
0o0
Pegadas na lama
Deixa, ao longo do canteiro,
o joão-de-barro.
0o0
No quintal de casa,
Várias bolhas de sabão
Terminam na areia.
0o0
No meio da Trilha,
Da Serra de Primavera,
Flores no caminho.
0o0
Ao bater dos sinos,
O povo, palmas na mão,
Saúda o padroeiro.
0o0
Preso na cortina,
O bater do marimbondo
Chega a nos dar medo.
0o0
Pulando pelas pedras
O filhote de pardal
Procura seu ninho.
0o0
Amoras silvestres –
No final da caminhada
A grande surpresa.
0o0
No meio da trilha,
A procissão das saúvas
Carregando folhas.
0o0
Centro da cidade –
Um presépio todo feito
De velhos jornais.
0o0
Longe da enseada,
O surfista contemplando
O cair da noite.
0o0
Terminado o almoço,
À sombra da amendoeira,
Meu avô cochila.
0o0
Casa abandonada –
Apenas a amendoeira
permanece em pé.
0o0
Ao passar do vento
O galho da samambaia
Perturba a visita.
0o0
Baile das crianças –
Ao som da última marchinha,
Chuva de confete.
0o0
Rio São Francisco.
No cesto do pescador
um gordo dourado.
0o0
Ao longo da estrada.
A silhueta das árvores
Envolta em neblina.
0o0
Atrás do cortejo
A menina carregando
Apenas um cravo.
0o0
É noite de inverno...
Apenas um vagabundo
Caminha na rua.
0o0
Inverno. Anoitece.
O vigia da estação
Acendendo as luzes.
0o0
Dia de São Pedro.
No interior da capela
Minha mãe rezando.
0o0
Noite de seresta.
Um caneco de quentão
Ao som da viola.
0o0
Campo de São Bento.
Somente a paina nos galhos
Da velha paineira.
0o0
Centro da cidade.
Um senhora de xale
Entra no cinema.
0o0
Largo das matriz.
A floração do ipê-roxo
Por toda calçada.
0o0
Ainda amanhece...
O gari varrendo as flores
Do velho ipê-roxo.
0o0
Inverno. Anoitece.
O vigia da estação
Acendendo as luzes.
0o0
Finzinho de tarde –
O gado busca alimento
Pela relva seca.
0o0
Na volta do baile,
O brilho da Lua fria
Envolta nas nuvens.
Antônio Seixas
30 de julho de 2006.